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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Feixe de luz

Ultrapassarei
Sou furacão, sou veneno,
Vou além até o sem fim,
Vim do nada, quero tudo.
Cavalgar sob as estrelas,
Voar nas ondas do mar.
Amar até se saciar,
Na volúpia do infinito,
Driblar o destino,
Seguindo meu caminho
Num feixe de luz,
Até ancorar em porto seguro,
Se demorar,
Não deixarei complicar,
Os espinhos do caminho
Um a um serão banidos
As montanhas, ultrapassarei
E cedo ou tarde chegarei...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Retrato

Belos tempos
Retrato de uma época aurea passada, a ótica da camera registrou um momento inesquecível, gravou para a posteridade o charme, a elegancia daquele que viria a ser meu pai. (em pé,de cigarro na mão)


Meu pai, meu ídolo, que a vida maltratou, mas foi forte foi feliz, criou sua prole com dignidade, adquiriu cultura, não sei como, a sabedoria nata, a sabedoria dos livros, herança que me passou, trabalhou duro, sem descanso, dia e noite, zelou pela integridade da familia.


Minha filha, religião é meio de vida, o homem mais feliz do mundo não tinha uma camisa para vestir, são frases suas que marcaram minha infancia, me ensinou a questionar, a ser humilde, a buscar a sabedoria, o conhecimento onde estivesse a fonte, a trabalhar e não baixar a cabeça.


O cotidiano de uma familia possui tropeços e percalços, a labuta diária não se faz com facilidade, mas o questionamento nunca existiu, fomos sim uma pequena familia feliz.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Futuro brilhante


Vivemos como se fossemos eternos,
Vivemos cada dia
Pensando que nunca termina,
Vivemos pensando no futuro
Como se ele nunca chegasse,
Mas ele chega...
E nem percebemos
Quando nos surpreendemos
Com a dura realidade
Do futuro que chegou,


O futuro é aqui
Vivemos sonhando
Com um futuro brilhante,
E ele nos surpreende
Com a velhice
A decadência física
O fim...
Qual será o objetivo?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Universo Maluco

Faço parte


Faço parte de um universo maluco em evolução,
Sinto ser pequena particula de um mundo louco,
Onde impera apenas o interesse,
Onde o inevitável é o final da vida,
Onde o inicio é o primeiro dia de vida,


Mas são vidas que se continuam, se entrelaçam,
O fim de uma gera o inicio de outra
Em uma cadeia sem fim,
Quem idealizou tudo isso não contou o objetivo,
Mas a "cadeia" segue,
Gerações sucedem gerações,
Desde o primordio dos tempos,
E vão se completando,
Aperfeiçoando, degenerando,
Numa aspiral, por vezes em linha extensa
Outras com saltos indecentes,
Onde todos se entrelaçam
E eu pequena particula desse todo,
Vou seguindo meu destino,
Frágil, forte, indecente e descente ao mesmo tempo,
Na luta feroz,
Ja com alguns anos,
Vendo os destinos se repetirem,
os personagens se sucedem no palco da vida,
As histórias parecem as mesmas,
Alguns conseguem se sobressair
E fugir ao destino fatal,
Outros sucumbem,
Ao bel sabor do criador.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Inovar

Recursos não renovaveis
Inovar, criar, utilizando os recursos disponíveis, é a grande sacada.

A humanidade está sendo induzida ao consumo exagerado, ao descarte de recursos não renováveis???

Está destruindo as condições para sua sobrevivência no planeta, não entendeu ainda que é mais fácil e lógica a renovação na necessidade.
É um querer parecer o que não é ainda...
Se for negro, é lindo, seja negro.
Se for amarelo de olho puxado, é lindo, seja amarelo.

Se for branco, é lindo, seja branco, não queira ficar negro à força, só vai adquirir câncer de pele.
Trabalhe, estude, divirta, aos arredores de seu habitat
Busque, crie, evolua, adquira conhecimento, pesquise, viaje sem ostentar.
Seja humilde como é a vida em sua grande sabedoria.
Respeite os diferentes, que possam parecer mais fracos e são manipulados ao bel prazer. Eles são vidas, um universo encantado da criação e também sentem medo de morrer, dor, frio, fome, calor, amor como qualquer humano.
Então humanidade, menos, menos, menos...
Mais, mais, mais amor, compreensão, respeito.
E a evolução será alcançada.
Como está a marcha é ré.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Caminhão de mudança


Quintal entre nossa casa e da vovó
 Meu avô materno, um amigo da familia, mamãe e minha avó paterna, as crianças Ditinho com a barriga no tanque, Silvio em cima e eu.



Papai construiu nossa casinha de madeira nos fundos do quintal de minha avó, ouvia os comentários que a mudança estava para ser feita, contrataram o caminhão e começaram a arrumação das coisas, eu excitada esperando o momento de fazer essa mudança e já me via na boleia, quando de repente fui levada para a casa de minha avó e deixada na varanda no alto, com um banco desses rústicos de sentar deitado na porta para que eu não saísse, era tão pequena que o banco me segurava, tal foi minha surpresa quando vi o caminhão de mudança chegar, eu não estava nela, fui deixada pra traz, aliás fui levada antes, essa deve ter sido a minha primeira desilusão, fiquei muito decepcionada, não entendia porque eu não vim no caminhão, porque me excluíram assim, eu queria tanto andar naquele caminhão.

Foram subindo as coisas e eu a tudo assistindo, somente assistindo, parece que tinham traçado meu destino de assistir as coisas, chegar bem perto e não fazer parte delas, mas a vida seguia e tive também minha grande alegria de ganhar a primeira boneca que abria e fechava os olhos, disseram que eu pedia muito e arranjaram com os cunhados de meu tio Genésio que trabalhavam na Fabrica de Brinquedos Estrela para me trazerem a boneca, meu maninho mais novo ainda não havia nascido, pois eu ainda dormia no berço, quando ele nasceu passei a dormir em uma cama de solteiro que arranjaram, dormia eu o primeiro mano juntos, o bebe foi para o meu berço, lembro que me acordaram no berço e alegres me entregaram aquela linda boneca, quase maior que eu, que alegria, amei aquela boneca, cuidei dela como de um filho, nunca a estraguei e não deixei ninguém estragar, a vida seguia, brincava no quintal entre nossa casinha e a casa de minha avó, eu e maninho olhávamos o céu e víamos os balões e aviões e cantávamos, cai, cai, balão, cai aqui na minha mão, eu era feliz nessa época.

Mamãe um dia saiu e me deixou amarrada na cadeira, ela foi ao açougue, era longe para me levar, deixou o maninho no berço, dormindo e eu amarrada na cadeira, já era inquieta, já sabia o que queria e naquela cadeira amarrada eu não queria ficar, pulei tanto que derrubei a cadeira, quando ela voltava, ainda longe ouviu os meus berros, ao chegar eu estava roxa de tanto berrar e com a cadeira caída no chão, eu continuava amarada, fui bem amarrada mesmo.

Mamãe esperava meu segundo maninho e parece que as coisas já não andavam bem naquela casa, ela sofria, não estava bem, chegou o dia de ir para a maternidade, pra nós disseram que ia encontrar a cegonha para trazer nosso irmão, ficou cuidando de nós a Lídia, vulgo Doca, que depois passou a ser nossa tia, pois se casou com meu tio Otávio, ela era muito legal, brincava conosco e nos chamava de filhos, eu a adorava, brincávamos na grama  na frente da casa de minha avó, fazia cócegas em nós com a grama.

Mamãe chegou com um lindo bebe, eu queria que fosse uma menininha, pois o meu irmão era muito danado, levado da breca, assim minha mãe falava dele, me atentava muito eu queria uma irmãzinha, pois achava que menina era melhor, eu era boazinha e não infernizava a vida de ninguém, mas veio um menino, lindo, fofo, veio com a testa machucada e disseram que a cegonha o havia derrubado, tempos mais tarde  soube que foi um parto traumático, ele foi tirado a ferro, meu pai chegou ao Hospital Matarazzo, onde minha mãe estava e pelos corredores ouviu os berros dela, pegou o médico pelos colarinhos dizendo que algo de errado acontecia, pois a viu ter dois partos antes e não viu escândalo, ai fizeram o parto, o bebê era enorme, diziam que cinco quilos, ela dizia que a enfermeira e meu pai subiram em cima dela forçando a saída e mesmo assim foi tirado a ferro, pobre mamãe.

Já nos primeiros dias do bebe em casa, num domingo íamos sair a passeio, na casa dos padrinhos do outro mano, nossos passeios naquela época eram na casa da comadre Leticia e compadre Júlio, padrinhos do Ditinho, o bebe estava todo arrumado, com uma linda roupa de lã azul, em cima da cama, estavam saindo e achei que o iam esquecer, subi na cama e o puxei pelos pés, sorte que naquela época bebes eram enfaixados e ficavam durinhos, senão teria quebrado o moleque, puxei da cama ele veio durinho e pelos pés com a cabeça pra frente eu o ia levando, quando viram e me deram a maior bronca, minha mãe ao ver de longe berrou, Lazinho, a menina derruba o nenê, num pulo meu pai se apossou do bebe, levei bronca, mas eu só não queria que o deixassem.

Quando o bebe começou a engatinhar me deram a tarefa de cuidar dele, eu tinha então quatro anos, e não podia deixar que ele fosse para a porta, pois tinha uma escadinha e também que não se aproximasse do fogão, um fogãozinho de carvão de duas bocas, eu o agarrava e não deixava se aproximar dos perigos, era pesado, ficava bem sujo eu ficava até com o rosto afogueado de tanto esforço para segurá-lo, mas agarrava mesmo com muita força, já eu quando comecei andar vivia com as canelas roxas, pois vivia caindo naquela escadinha, não tinha ninguém para tomar conta de mim.

Teve o batizado do maninho, foi minha primeira festa, adorei, foi nesse dia que conheci sanduiche de mortadela e guaraná, foi muito legal, o padrinho dele um turco Sr. Abrão era chefe de papai no armazém Makfardi, onde ele trabalhava e fez a festa do maninho, deu-lhe também uma bela roupa de batizado.

Tivemos uma bela infância nesse local, brincávamos no quintal do lado com as crianças vizinhas, tinha uma árvore bem grande de ameixa e fazíamos guerra de ameixas, o filho mais velho dos vizinhos, já um menino bem grande, as vezes tomava conta de nós e íamos para o galpão que era uma carvoaria, ele mostrava suas partes intimas e queria que pegássemos, ao que desconfiados fugíamos dele, é bom as mães prestarem bem atenção com quem deixam os filhos, pois as coisas acontecem debaixo do nariz delas, sem que percebam.

Muitas coisas aconteceram nesse período, teve o casamento do tio Otávio, o casamento da prima Lalaza, foi uma festa linda em um salão com um enorme bolo de andares e noivinhos em cima, damas de honra, todas de vestido longo rodado e dançavam muito, outros casamentos com festa de outras primas de papai, nós sempre íamos bem arrumados, lembro-me de um belo vestido vermelho de organza com bolinhas brancas, mamãe fez, rodado e de mangas fofas, lindo, sapatinho branco eu adorava.

Vovó me levava a passear, ela tinha um namorado, íamos ao parquinho andar de cavalinho, comer pizza e na missa, na Catedral de São Caetano, eu era a preferida de minha avó, que foi também o primeiro grande amor de minha vida, a pessoa que ainda hoje povoa meus sonhos, era de um requinte inacreditável, não imagino onde ela aprendeu etiqueta, pois colocava a mesa de refeição com tamanha perfeição e me ensinou, toalhas de linho, aparelho de porcelana, belos talheres, copos de cristal, tudo colocado nos seus devidos lugares, era sempre o prato fundo e o raso, pois serviam entradas, os talheres colocados à direita com o guardanapo e os cristais a esquerda, grades banquetes, grandes feijoadas que somente ela fazia, até sinto o delicioso aroma de tanta saudade.

Minhas tias trabalhavam, uma era baixinha, gordinha tipo intelectual, secretária bilíngue, trabalhou em grandes empresas, uma delas a Kibon de sorvetes; a outra tipo modelo, telefonista de um oleoduto, Techint e secretária do então presidente do Jóquei Clube de Sampa João Ademar de Almeida Prado.

Vivemos ali uma bela infância, apesar de trancados no quintal, não era possível sair a rua que naquela época era saída para a baixada Santista, com todo o tráfego pesado de caminhões e ônibus, muitas artes fazíamos e vivíamos o sonho de nossa casa, onde pudéssemos ser livres.
 


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Renascer

Na imensidão da solidão
Tentei contato com várias pessoas, mas inútil, acho que o melhor será mesmo esquecer tudo o que foi vivido, toda essa gente, fazer um novo nascimento uma nova vida, com tudo novo, jogar tudo fora, renascer...

 Mas como se joga uma vida vivida fora, eu não sei, mas acho que tenho que aprender, pois a muito essas pessoas já me esqueceram, sou passado, uma vez que estou longe e não tenho mais como oferecer-lhes vantagens, então bay, bay, bay, tchau pra vocês.