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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cara gorda

Próspera e feliz
Depois da tempestade sempre vem a bonança, agora ao olhar para aquela cara gorda já não sinto mais nada, apenas indiferença, a dor se acalmou, deve ter cicatrizado, mas não é brincadeira olhar para alguém e ver que sua vida foi roubada, me sinto com o defunto na sala para ser enterrado, há 21 anos esse defunto está sendo velado em minha sala, é preciso que eu o enterre pra sempre que não deixe sequer que fantasmas venham me perseguir, a colheita tem que ser feita o perdão tem que ser dado, acho que não, pois não condenei apenas espiei as culpas minhas e dele, o castigo no lombo tem sido pesado, pesado demais para minhas costas frágeis, mas mesmo assim ela se manteve ereta firme sem se curvar, como um rochedo que mesmo açoitado pelas intempéries permanece intacto, majestoso, ante toda adversidade a que possa ter sido submetido, ainda assim não se curva.

domingo, 17 de junho de 2012

Saudade

,
Vinte anos de saudade a explodir em meu peito,
Vinte anos sem ver um familiar,
Vinte anos cuidando dos cães abandonados em minha companhia,
Por quem deveria cuidar de mim, de nós, dos cães comprados e abandonados,
Não há um momento de arrependimento,
A labuta foi de titãs,
Tiveram imensa prole,
Doados e devolvidos,
Assumi a maior parte,
Até o momento em que os vasectomisei,
E assim findou a dinastia,
Nascer para que, para serem abandonados,
A toda sorte de maldades e maltratos, por humanos desumanos,
Assisti até ao ultimo suspiro de cada um,
Sem medir esforços para prolongar seus dias,
Em fim, o destino se cumpriu,
Um a um partiu e partiu meu coração.
Nesse ano consegui visitar meus familiares,
Foi bom e foi ruim,
Após tanto tempo esperava ver meus irmãos bem,
Tal não aconteceu, como eu,
Descartados,
É a vida, não se pode tudo.
O caminho sonhado não foi o caminho trilhado,
Daqui para a frente, fazer tudo diferente.
Driblar o destino e assumir o comando de nossas vidas. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Tempos atuais



Atualidade
É a tal da Pirâmide,
Onde o miserável sustenta o todo poderoso,
E aquele não percebe a manobra,



Entrega-se a orgia que o outro promove,
Extasia-se com a glória alheia,
Cai na armadilha sem se dar conta,
Que é apenas massa de manobra,
Manada seguindo o berrante rumo ao matadouro,
Para encher a pança do todo poderoso,
Sentindo-se o rei do universo ,
Quando lhe é permitido ver
Um bando de homens
Correndo atráz de uma bola,
Quando deveriam estar cultivando a terra,
Esvaziam seu saco de ouro,
Que vai abastecer o do já abastado,
Sofre, chora se descabela, infarta até,
Pra nada em sua vida,
Apenas um momento solitário de ilusão,
Que em nada o engrandece,
E assim permanece na escravidão moderna, na estagnação,
Só útil ao topo da Pirâmide,
Que continuará a mantê-los na ignorância,
A fim de sempre subjugá-los,
Jamais abrirão suas mentes,
Para que?
Jamais lhe darão o estudo suficiente,
Para seguirem com as próprias pernas,
E assim seguem na ignorância
Se achando o máximo,
Porém todos nasceram nus,
Com olhos para ver, ouvidos para ouvir,
Mente para pensar e livre arbítrio,
Não usam,
Permanecem no obscurantismo medieval,
Como nos antigos feudos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Crueldade

Acuando, defendendo a cria
O que tem na cabeça de malucos que adentram ao quintal de um próximo, deixando ali em uma caixa quatro filhotes caninos de aproximadamente 45 dias, sabe-se la o que se passou que a mãezinha estava junto ao lado tentando resgatar seus rebentos, pergunto, terão jogado a todos, ou terão apenas descartado os rebentos indesejáveis e a mãezinha pela proximidade escalou os muros tentando resgatar a prole?

Nunca se saberá, o que se sabe é que eu tinha conhecimento de onde era a casa da mãezinha, após tentar meios legais para devolve-los e fazer com que tais irresponsáveis ao menos tivessem alguma pena, mesmo que leve, nesse caso atribuem crime de menor potencial.



Assustados na libertação
Eternamente esperando, não fosse a pessoa que acreditou -me e vendo o tamanho da crueldade com todos, apesar de saber que o fato se deu por provocação a minha pessoa, enfrentou os malvados, afirmando saber serem deles as pobres ciaturinhas e que os fossem buscar ou ela mesma os devolveria.

Vieram busca-los se desculpando e dizendo não saber como tal fato aconteceu, sei, vieram voando, através da ignorancia, incopetencia, crueldade de seres ainda não evoluidos, encontram-se no primitivismo da ignorancia, pensando ser descente, quando na verdade não passam de seres indescentes, escória da humanidade, quiça um dia entendam e se esforcem para ao menos se tornarem gente.

Pai




Um pouco da vida de Lazinho,  hoje são noventa e oito anos de seu nascimento, um ser iluminado, possuia um sexto sentido aguçado, capaz de prever acontecimentos futuros com exatidão, era até assombroso, quando dizia que alguém havia partido era só aguardar que a noticia real chegava.


Homem integro, trabalhador, adorava leitura e com isso adquiriu cultura, um ser de primeira grandeza, que passou por esta dimensão, criou sua prole com dignidade, apesar das surras homéricas, dizia assim, eu apanhava de cabo de enxada e voces só de cinta, ta muito bom.


Bonito e charmoso, meu pai.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Réquiem

Velha Fila cega abandonada
Réquiem para uma velha cadela fila cega abandonada,
Inocente vítima da ferocidade humana enlouquecida,
Inebriada, com atitudes animalescas;
Pobres animais,
Seres indefesos vivendo na selva
Dos chamados seres humanos,
Tirados do seu habitat natural para satisfazer a vaidade dos desumanos,
Deixados ao desalento sem leito, sem teto, sem alimento,
No abandono, na saudade, na dor sofrida,
Que somente os que conhecem o abandono podem saber,
Perambulando a esmo, vagando sem direção,
Buscando em vão um amparo, um carinho,
Nada encontrando,
Apenas o alimento, ás vezes, para o seu corpo já frágil,
Cansado dos anos que carrega nas costas,
Quando já lhe faltam os sentidos,
E mesmo assim defendem seu território,
Seu “dono” até a morte cruel,
Quando antes não são jogados à rua,
Qual coisa imprestável, inanimada, sem valor...
Mesmo assim vagam a esmo, uivam no desespero,
De saudades, do que um dia julgou ser felicidade,
Coitadinhos, valentes até o final,
Cheios de afeto, para com seus desafetos,
Descansa em paz fila querida...
Agora que jaz no sono da morte,
Mas antes exponha bem suas vísceras,
Exale bastante podridão, para quem sabe,
Algum humano,
Um dia venha à por a mão na consciência,
E tenha alguma decência, antes de tamanha sordidez,
Depois de uma vida de luta e proteção,
Quantas proles,
Talvez negociadas para dar lucro ao seu “patrão”,
Ser jogada à destruição, faça bastante podridão,
Ela não é de seu corpo robusto não,
Mas da alma sórdida cheia de orgulho,
Do animal humano, que pensa que tudo pode,
Que pensa ser superior,
Sendo mais inferior que seus excrementos pequenina,
Que é delicioso aroma, perfume inebriante,
Perto da indecência humana,
Escancara bem suas vísceras dilaceradas,
Para que a maldade humana possa vir à tona,
Nem que seja no seu mais ínfimo inconsciente,
Lá onde só o além pode ver, para quem sabe um dia,
Tenha alguma compaixão em seu misero coração,
Podre de carniça,
Tentando transmutar e enganar,
Mas enganar a quem?
”À vida”,
Esquece-se das leis universais do espaço sideral,
Das leis imutáveis feitas pelo poder cósmico supremo,
Infalível,
Quiçá um dia abaixe seu focinho e perceba sua insignificância,
Sua sordidez grande demais, para que algum dia,
Essas leis venham a lhe socorrer,
Quiçá um dia invertam-se os papéis,
E o reino animal, mineral e vegetal possam dizer enfim,
“ALELUIA”, “ALELUIAAAA”, “ALELUIA”...
Justiça agora é feita,
Que repiquem os sinos...
Descanse agora em paz pequenina sem visão,
Mas antes sinta um beijo em seu coração,
Venceu a maldade humana,
Mais uma vez.

domingo, 3 de junho de 2012

Paula

A frente de seu tempo
Paula simplesmente, Paulinha para os íntimos, para nós tia Paula.

Tia Paula, menina, garota, marota, vanguarda, aos sabados descendo a Via Anchieta com seu namorado Lourenço a la James Dean em sua motocicleta Harley-Davidson, voltando no domingo a noite, bem moderna esta minha tia, merecia existir nos dias atuais, porém hoje exatamente 83 anos de seu nascimento, resta a saudade eterna de uma tia que enfeitou a minha infancia dos melhores presentes, passeios, roupas, festas e ensinamentos.

Viveu a sua vida boêmia com seu companheiro que não poderia ser outro, pois eram bem avançados os dois, ele partiu bem cedo, sua vida desregrada o levou, nós então usufruimos de nossa querida tia, só nossa então por algum tempo, até ela se encantar com outro companheiro e outro e mudar para a baixada Santista, se tornar budista e partir para o além.