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domingo, 27 de julho de 2014

Geração 60

 
 
1960
Criança com idéias e ideais  de adulto, iniciando a tomar conta da situação de vida de seus pais já cansados, estressados com as agruras da existência, sem saber o que fazer para estudar seus filhos e tendo proposta de trabalho resolveu enfrenta-los e seguir na labuta de gente grande.

A luta foi grande, não queriam deixar que fosse ao trabalho, então virei uma peste em casa, não dei mais sossego a eles, até receber o sim, vai peste trabalhar, já que não da sossego

O trabalho ofertado era em uma Oficina de Costura na Rua Silva Teles, 447 - Brás, e vamos nós a enfrentar o primeiro dia de gente grande, as cinco da manhã saindo de casa com a bolsa de ráfia vermelha carregando a marmita do almoço, chegando com a amiga naquele local onde passaria os próximos oito anos, fui levada até uma velha máquina  de costura  Industrial Singer e passado o serviço, era fazer barras em shorts, coisinha muito fácil para quem estava acostumada a fazer shorts inteiros.

Eu e a amiga em nossa inocência de criança resolvemos apostar quem costurava mais, quem daria a maior produção e foi uma festa para o patrão, assombramos com a produção, fomos contratadas para receber o salário de menor e já no primeiro mês fomos chamadas pelo patrão e informadas que receberíamos o salário de maior pois estávamos trabalhando mais que todos, foi uma festa, felicidade mesmo, pois assim era possível ajudar bem em casa e aos sábados quando solicitado íamos ao trabalho para horas extras e recebíamos na hora, esse dinheirinho era nosso, para comprar nossas coisas e ainda comíamos um sanduiche bauru na padaria da esquina, nada de marmita aos sábados.



Confecções Prainha
Era então o dia 18 de janeiro de 1961, ao término do primeiro dia de trabalho já tomei contato com a enchente que invadiu a rua, para atravessar foi um drama, a espera pelo ônibus foi demorada demais em consequência a chegada ao lar foi após as 20:00 horas, encontrei minha mãe no leito desesperada achando que eu não voltava mais para casa, foi terrível, não queria  deixar que voltasse ao trabalho, tive que fazer terror para seguir com a labuta iniciada.


13 anos
E para suportar os dias de trabalho naquela Oficina de Costura minha mente voava, não havia limites, a máquina de costura virava meu carro de corrida, meu barco a voar sobre as ondas do mar, meu pensamento transcendia e previa o futuro que eu sonhava, na realidade cruel dos dias vividos fingia ser balconista, ai de quem discordasse, minha cara de pau era tão grande que afirmava sem constrangimentos, sou balconista, mas isso ajudava a armar um plano de um dia me libertar da máquina de costura e voar livremente em algum trabalho onde pudesse escrever.

O trabalho era duro, das 7:30 as 18:00 e na sexta feira a saída era 18:30 para completar as 48 horas semanais, parávamos as 18 para fazer a faxina das máquinas, do banheiro, da oficina toda, eu e a amiga não gostávamos nada de lavar banheiro, então não o usávamos, passávamos os dias sem fazer nossas necessidades fisiológicas e assim nada de lavar banheiro, mas esse estado de coisas pouco durou, em nossa inocência de crianças resolvemos fazer uma greve para informar ao patrão que não faríamos mais faxina, pois éramos costureiras e não faxineiras, chegou a sexta-feira e quando o patrão veio mandar parar as máquinas para a faxina, nunca elas trabalharam tanto, todas enfiamos a cabeça para o trabalho e pé na máquina, para que parássemos ele foi obrigado a desligar a chave geral e com aquela cara assustada "o que foi", uma das companheiras o informou que não mais faríamos faxina, ao que ele concordou em arrumar uma faxineira e assim foi, nunca mais faxina, limpávamos as máquinas apenas, nesse dia ele nos pagou lanche, e nos levou de Kombi para casa.

Datilografia
Mamãe inconformada com meu trabalho, pois  sabia que não gostava de ser costureira e que aquilo era um suplício para mim, me colocou na escola de datilografia na tentativa que eu conseguisse um trabalho em escritório, mas a revolta era tão grande que nada aprendi, odiava aquilo, achava que jamais conseguiria sair daquele sistema de coisas pois não tinha estudo, não teve escola para mim, de que adiantaria saber datilografia, um dia houve um acidente em frente a escola, um ônibus passou em cima de 2 pessoas que ficaram estendidas no solo cobertas por um pano, me deu náuseas e nunca mais voltei ao Curso Brasil.

Minha Tia Iracema me arrumou uma vaga no escritório onde ela era secretária, foi um mico total, me colocaram para datilografar duplicatas, eu sem saber datilografia estraguei todo o trabalho, voltei para casa e disse a mãe, pode arrumar minha marmita que volto para o "Seu Bichara" meu patrão na Confecções Prainha Ltda.

Pedimos ao patrão um rádio, rapidamente nos atendeu e deu para suportar o duro trabalho, ouvíamos música o dia todo, Caubi Peixoto, Ângela Maria, Miltinho, Edith Piaf, Cely Campello, Sérgio Murilo,
Elza Soares, Moacir Franco, Elvis Presley, e tantos outros da época, nosso patrão nos atendia porque éramos esforçadas no trabalho, criança trabalhando como gente grande, em pouco tempo ele alugou um salão na Rua Mendes Gonçalves e construiu o Edifício de três andares no local da velha oficina.

A volta do trabalho era demorada, horas esperando o ônibus, mas nos divertíamos pois as lojas tocavam The Beatles, quando aparecia aquele ônibus já com as pessoas penduradas na porta, nos pendurávamos também, sardinha em lata mesmo, tinha rapazes atrevidos que vinha encostar sua partes intimas com abuso, nada que um alfinetinho de cabeça não resolvesse, sem dó os espetávamos e nos víamos livres dos atrevidos.

1962
 
Andava bem nessa época, tinha melhorado a timidez, andava era meio altiva mesmo, até o episódio da briga com a colega de trabalho e amiga de infância, me provocavam o tempo todo por ter vários paqueras, não namorava ninguém, enrolava aqueles atrevidos que viviam atrás de mim, isso era motivo de provocações constantes, até que um dia não aguentando mais respondi a ela: isso é para quem pode e não para quem quer, ao que ela respondeu; para uma putinha igual você, já tínhamos descido do ônibus e estávamos no caminho de casa, na escuridão, na rua de terra, voei pra cima dela dando bolsadas, pontapé, rolamos no chão, as outras todas primas e irmãs dela voaram pra cima de mim, a poeira levantou, quando consegui levantar corri para casa aos prantos, tinha então 15 anos, foi um divisor de águas, a vida para mim nunca mais voltou a ser a mesma, nunca mais a mesma alegria, descontração de menina, por azar nessa noite houve o falecimento do irmãozinho dela, não fui, não avisei ao patrão, pois elas não foram ao trabalho, eu fui e pedi minha demissão, o patrão se recusou, no outro dia todos ao trabalho, eu sem o menor respeito liguei o rádio e toquei a vida, agora sozinha naquele local, de mal com aquele bando, e recebendo provocações constantes, acho que ali fui forjada para aguentar os trancos da vida que viriam sem piedade.


1963
 
Na memória o dia 30 de março de 1964, quando o rádio anunciou a tal revolução, não tocava mais música, apenas musicas márcias de guerra, não entendia direito o que se passava, mas vivi o antes, durante e depois dessa data, antes eram greves, fila para comprar mantimentos, arrocho de todo tipo, as coisas foram se acalmando, as pessoas começaram a prosperar, acabaram-se as greves, começaram a ter escolas, não vi nada que falam dessa tal ditadura como algo mau, vi foi uma melhora geral, apenas não votavam mais.


Meus passeios preferidos eram no Museu do Ipiranga, aos domingos íamos em bando de meninas, passávamos a tarde por lá, sentávamos nos jardins, visitávamos o museu naquele Palácio monumental que depois vim a saber ser réplica do Palácio de Versalhes, o fusca era o carro da moda, e paquerávamos os rapazes que os possuíam, até uma tarde onde conheci o primeiro amor, aquele belo rapaz, alto de camisa social branca e calça LEE, que era nosso sonho de consumo, se aproximou, se apresentou, como já estava indo embora me acompanhou até o ponto de ônibus, pegou meu endereço e a noite foi ao Parque São Lucas me encontrar, eu nas nuvens , veio com a mesma roupa e uma jaqueta de frio, pois as noites já eram frias, me encantei, me apaixonei, ele tinha pele e cabelos cor de mel, 1,80 de altura, deslumbrante, desses que as pessoas viram o pescoço para admirar, imaginei que casava com ele, paixão total, nos víamos diariamente, pois na semana que nos conhecemos ele entrou para a Aeronáutica, tinha 18 anos eu 17 anos, meu trabalho era no caminho de volta dele, então descia e me esperava, pegávamos o ônibus lotado até o Parque São Lucas, me deixava no portão de casa e partia, aos sábados vinha me encontrar e passeávamos pela Av. São Lucas, era o tal sobe e desce, a praça da moçada, íamos até a Igreja Assembleia de Deus que era na Rua Sofia e lá atrás da igreja que era meio deserto e escuro  dávamos uns abraços mais apertados, que nunca passaram de alguns beijos, durou um ano essa paixão que a todos encantava, mas a oposição foi mais forte, da parte da família dele, era o moço rico e a moça pobre e da parte de meu irmão que fez intrigas porque queria que eu namorasse o colega dele, a paixão sucumbiu, o amor não acabou, por muito tempo amarguei a dor dessa perda, mas a vida segue e nos obriga a caminhar.



sábado, 19 de julho de 2014

Plantação e destruição

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Comprei de um garoto das vizinhanças um vasinho com uma espada por R$1,00, então começou a multiplicação e para embelezar meu lar resolvi planta-las na área verde em frente a residência, cuidei cada dia com esmero, transformando em um belo canteiro de espadas com flores de singular beleza, como não podemos agradar a todos, alguns com superstição medíocre não gostaram das plantas, xingaram, blasfemaram, outros encantaram, porém o vandalismo venceu e num belo dia encontro a destruição, tentaram arrancar, mas como são robustas tiveram dificuldade então derrubaram com fúria, as ergui e continuo no cuidado, já não estão tão belas, porém resistindo, assim como eu.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Abacaxi no meu jardim


Deslumbre 
A rama ganhou a terra e não o lixo.
Encanto 


Deleite
Retribuiu com isso .



Dois
E mais um, agora são dois




 
Um olhar, um pensamento, uma ação, as energias estão ai para quem quiser e merecer usufruir...


Desenvolvendo
 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Felino olhos azuis

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A procura de um lar.

Mais uma vez pessoas maldosas jogaram um bebe animal em minha casa que hoje não está mais habitada, pergunto até onde vai a maldade humana, se é que possa chamar de humano quem comete tal ato, tão indefeso e ao mesmo tempo lutando pela sua sobrevivência, encanta a alma presenciar um felino bebê se educando naturalmente e sozinho. 
Procurando adotante, posse responsável, vamos encontrar um lar decente para o filhote