Pesquisar neste blogue

sábado, 31 de dezembro de 2011

2012


Chegou
Chegou, e ai!  Nada mudou
O planeta segue seu rumo,
Indiferente a grande massa


 
Alienada, subjugada, inebriada,
Iludida, 
Sentindo-se o centro do universo,
Quando não passa de joguete da elite dominante,
Levando o lar cedido pela grande mãe natureza,
Ao sofrimento, a destruição, em vão,
Pois sendo mais forte de defenderá,
Enquanto o homem,
Com a cegueira de seus limitados sentidos,
Se inebria, se esfalfa com comemorações
Que simplesmente embota seus parcos sentidos,
Atrasa a evolução inevitável da grande criação,
Rumo a perfeição...
Um dia talvez entenderá,
Talvez se aperfeiçoe seu ‘DNA’
Quiçá não seja tarde demais para a raça humana,
Sobrando apenas alguns remanescentes,
Escolhidos, para tudo novamente...
Recomeçar,
Como creio já foi algum dia nos primórdios dos tempos,
E ainda em vão,
Pois continua imperando  a ambição desmedida,
Que tira o pão da boca do irmão,
E não percebe o óbvio,
As leis universais são poderosas,
E seu rumo tem no leme,
O poder cósmico,
INFALÍVEL

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Celebrar


Realeza

Para mim todo dia é dia de festa,
Para mim todo dia é dia de alegria,
Esperar Natal, Ano novo, Carnaval, Futebol,
Pra que?





Que necessidade é essa
que a humanidade precisa viver na fantasia,
No irreal, quando o real é tão encantador.
Dormir, acordar, levantar e contemplar a beleza,
A realeza deste universo onde existimos,
Onde a criação exagerou na beleza real, verdadeira.
Na fantasia esquecem-se que pensam comemorar
O nascimento do filho do criador,
Se esfalfam na orgia, na gastança, no supérfluo,
Para no outro dia acordar
E cair na dura realidade,
Que o fim da festa, foi o fim dos sonhos,
E a caída na realidade,
Dos créditos vencidos e vincendos,
Para mim todo dia é dia de festa,
Meu real é festa constante,
Na minha vida nada de fantasia,
Para mim todo dia é dia de celebrar,
No real.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Liberto

Guerreiro
Passado, Presente, futuro,
Eu juro que não aturo,
A dor alucinante

Que hoje explode e rasga meu peito,
Passado desnudo,
Na mente presente,
Amor profano, devasso,
Liberto de preceitos e pré-conceitos,
Que atravessa tempo,

Distancia e espaço e
Permanece presente na ausência...




Transmutado em pureza,
Na dor do sono profundo,
Do abismo da morte cruel,
Que roubou a vida prematura
Da criatura que embalava
Os sonhos, a vida e a eternidade,
Daquela que não soube ver nem crer,
Na imensidão da força
Do sentimento eterno;
Perverso,
Que machucava, mas encantava,
Alucinava, dava cor e sabor
À vida insípida
De quem só soube amar,
Amar,amar e amar,
Mesmo na ausência, a presença, a saudade,
O amor que fica,
Anjo encantado.
Passou por esta vida e não viveu,
Porém reinou!
Delírios do amor e da paixão,
Ao menos em meu coração,
Reinou,
E reinará eternidade afora,
Outras dimensões, outras galáxias,
A eternidade será pouco,
Para o amor louco,
Que habita minha mente,
Minha alma, todo meu ser,
Vinte anos passados na ausência,
Como se fora vinte segundos,
Tudo presente, aflorando a mente,
Como no instante vivido.
Gravado com sangue do afeto abjeto,
Sem entender a dimensão do momento,
Instantes supremos,
Elevados a eterna saudade,
Que habitará minha mente,
Meu coração, meu ser, minha alma,
Para todo o sempre,
Que será nada,
Ante a imensidão deste amor,
Profundo, puro, profano,
Devasso, liberto???


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Reverso

Plantar e colher
Vida vivida no mais puro entender sem sair do rumo, embora às vezes o caminho a trilhar tenha grandes dificuldades a vencer, mas nos é dada a força suficiente para prosseguir no rumo acertado e continuar aguardando a grande vitória, que agora já se revestiu de realidade, o que está escrito começa a se cumprir, embora tenha um dia acreditado que essa profecia não se realizaria,

mas agora sei que ela veio no tempo certo, não poderia ser antes, agora começou o momento de puro júbilo e só eu sei do que estou falando ainda, mas como no outro caso ele se tornará público e notável ,assim é a grande lei da vida, colhe-se o que se planta.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Casa onde nasci

Onde minha mente mora
É o lugar onde minha mente mora, onde meu coração reside, onde conheci a felicidade, onde acreditei que a vida era de verdade, onde os sonhos foram embalados com sabor de realidade, onde imaginei que tudo podia e merecia, onde reinou a felicidade.


Incrível, depois de tanto tempo continua intacta, conservada.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Desigual


Eu queria ser gente educada
Eu queria ser comunista,
Eu queria ser contrabandista,


Eu queria ser cientista,

Ou estadista!
Eu queria ser gente educada,
Nada me foi permitido,
Minha infância e juventude
Foram truncadas,
Nada de escolas,
Nem esmolas,
Apenas a indiferença
Que fez desaparecer a crença
Me contaram que no comunismo,
Havia conquistas,
Havia escolas,
Também esmolas,
Para quem queria: escola,
Para quem não queria: esmolas,
Para mim não havia escola,
Fugindo da esmola
Corri para a luta
Na busca da sobrevivência,
Adeus escola,
Adeus sonhos...
Que se transformaram
Em luta solitária nunca perdulária,
Sempre correndo atrás do sonho,
Uma caneta e um livro na mão
Um amor no coração,
Na solidão,
Nunca deixando a embarcação naufragar,                     
Singrando oceanos desconhecidos,
Não permitidos á prole de desenxavidos,
Se misturando não ao acaso,
Mas ao conquistado,
Chegando ao inesperado, sem nem saber como,
Mas chegando,
Buscando,
Na luta desigual saindo vencedora sem igual.
Na eterna busca,

No manancial de sonhos,
Naufragando algumas vezes,
Outras remando contra a correnteza,
Sem nunca deixar de ver a beleza,
Da natureza humana, também da desumana,
No palco da vida, sempre em cena,
Sempre na essência do sentimento,
Elevando o momento ao sacramento,
Sem fugir à luta,
No comando da batuta sendo sempre maioral,
Ao menos na minha moral,
Ao meu ideal,
Na luta desigual


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Aprendi

Continuo aprendendo
Aprendi a viver a minha solidão sem angustias,
Aprendi a amar na distancia
Mesmo imaginando objeto de meu amor,
Vivendo feliz, ainda que nos braços de outra,
O homem que amo sempre será amado,
Não importa o tempo, os imprevistos,
Aprendi a fazer uma blindagem em torno de meu coração,


Aprendi a gostar de mim mesma
A ser feliz, independente do que ou
Quem quer que seja.
Aprendi que ofertar amor incondicional
Nos torna idiota, vulnerável, perante os outros,
Embora que esta não seja a realidade
Aprendi que o universo é muito mais
Que quatro paredes,
E que faço parte dele
Aprendi que o irracional é muito mais
Perfeito que o racional,
Como a natureza se renova,
Tento me renovar,
Aprendi que tudo é efêmero,
A beleza, a juventude, o progresso,
A doença, a felicidade, a tristeza, tudo passa,
Impérios erguem e declinam
Outros surgem, seguindo também seu destino,
Assim minha vida
Vai e vem no além,
Aprendi que meu destino é
Somente meu
E os que passam, passam...
Às vezes retornam, outras nunca mais...
Mas o que é o nunca mais...
Diante da imensidão do Universo,
Que flui para a eternidade
Do inconcebível à nossa débil mente,
Existe um mundo além de nós
E só depende de nós conquista-lo
Ou deixa-lo passar sem dele usufruir,
Sem fazer parte dele,
Aprendi que sou pequena partícula desse todo,
Que segue indiferente à minha dor
Ou amor,
Aprendi que compete a mim e somente a mim
Cuidar de mim,
Aprendi que cuidar dos outros,
Só nos leva ao nada...
Cada um é dono de seu destino,
Aprendi a aceitar as diferenças,
Indiferenças, crenças, embora nem sempre as entenda,
Aprendi que meus frágeis ombros,
Já carregou carga demais dos outros,
Sem se vergar,
Agora tenho a leveza
Apenas de me conduzir
E isso vou fazer
Com toda primazia e capacidade
Que sei que tenho,
Embora para os outros não tenha,
Então vamos nós,
Que chegou nossa vez
Cuidar apenas de nós mesmos
Aprendi que pior que seja a dor,
Necessário é suportar, um dia acostuma,
E quando nada mais encontrar eco,
Ouço a batida de meu coração
É por mim que ele pulsa....
Somente por mim

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Essência

Em busca
Em busca da verdadeira essência do meu eu desconectado, ou roubado, porque esta que está aqui é eu sem ser eu, eu tímida, medrosa, sem querer colocar pra fora a minha verdadeira índole, com medo que venham novamente usurpar o que tenho de bom e tentar me deixar na merda, merda essa que são eles, não eu, mas é difícil prever que são tão falsos, verdadeiros assassinos da vida emocional de outrem, são frágeis e nos fazem de muletas, e quando sugam nossas forças, nos jogam no chão e saem por ai a arrotar mel, quando na verdade são merda.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Companhia cósmica

Uma barraca na praia
Que vida mais danada, é uma parada, viver neste mundo fundo, sem porteiras, quanto mais aprendemos, mais temos a aprender, quanto mais ensinamos,

mais temos a ensinar, quanto mais doamos mais querem em doação, não tem o que chega para invasores invadir nossa vida e depois quando pensam que já não precisam se escafedem, como pode as pessoas medíocres se fazem passar por grande coisas e as que são alguma coisa se encolhem e permitem que esse tipo de coisa aconteça, fazer o que se são intrusos e assim agem sem pudor, ao contrário de quem tem poder e não manifesta, não tem necessidade de manifestar, pois é tão óbvio sua condição pra si mesmo que não importa se outros não vejam isso e assim vão tentando passar por cima, são merda e querem se fazer passar por mel, as vezes isso é irritante, quem pensam que enganam, comigo não, já ultrapassei essa faze de solidão, eu me basto estou comigo e sou a melhor pessoa para minha companhia, quem quiser achar que não é assim, azar o dele, pois vai comprar o que não preciso o que tenho de graça, das graças infinitas do universo do qual faço parte, do qual me integro e assim a companhia cósmica é minha aliada, nada me faltando e as vezes dói isso, mas o que importa, se tentaram se vender procuraram a pessoa errada, aqui a prostituição não entra, não preciso, sou suficiente para não precisar dessas coisas, são tão passadas, tão elementar, que da até dó, quem pensam que enganam, a mim não jacaré.


Uma rede na varanda
Para mim bastam uma barraca na praia ou uma rede na varanda, minhas pernas são suficientes para me levar onde quero ou preciso, o consumismo na necessidade, a beleza pura sem artifícios emana da essência da alma, que somente os puros vislumbram, a contemplação da obra do criador eleva ao êxtase a vida nesta dimensão e somente alguns exemplares a dedo escolhidos e por merecimento, sentirão a vibração das energias cósmicas que ai estão, para quem quiser e merecer usufruir.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Copa do Pantanal

Cuiabá - 2014

2014 Copa do Pantanal é sua Cuiabá, vitória, queriam levar mas essa voce venceu.


Como pode, Campo Grande é filhote, cria sua e se rebelou querendo ser a dona do Pantanal, que cresça para depois aparecer.


Sua natureza exuberante, seus ecossistemas Amazonas, Pantanal, Cerrado, Chapada,  sua gente  hospitaleira de coração quente, o mundo precisa saber de voce, precisa te conhecer, para então se encantar com suas dádivas, verdadeiro paraiso terrestre, voce é o próprio Jardim do Éden, o criador estava inspirado quando lhe idealizou.


Cuiabanos, vamos mostrar ao mundo quem somos, nossa auto estima de sermos seus filhos privilegiados , natos e adotados, só assim justiça será feita, pois o restante do país teima em lhe chamar de mato sem lhe conhecer, vai então saber quem és tu querida Cuiabá-MT.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Refugio

Vivo aqui
Meu lar é meu refugio no mundo
E por isso o mantenho com o melhor de mim,
São dias, são noites, de alegrias, dificuldades,
solidão, contemplação, mimos e zelos,


Cada cantinho uma história de vitória
obtida na lubuta, na luta ferrenha
daqueles que sonham e buscam seu sonho,
Caminhando com o suficiente objetivando o maximo,

Muitas vezes confusa e aprisionada
com a certeza que os grilhões serão passageiros,
Olhos fixos no horizonte numa imaginária linha,
Equilibrando sem perder o rumo,
Celebrando com cuidado, cada segundo vivido,
Olhar sempre atento nada perdendo
No meu caminhar, devagar eu chego la,
como sempre cheguei e só deixei de lado,
Quando não mais interessava.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Feixe de luz

Ultrapassarei
Sou furacão, sou veneno,
Vou além até o sem fim,
Vim do nada, quero tudo.
Cavalgar sob as estrelas,
Voar nas ondas do mar.
Amar até se saciar,
Na volúpia do infinito,
Driblar o destino,
Seguindo meu caminho
Num feixe de luz,
Até ancorar em porto seguro,
Se demorar,
Não deixarei complicar,
Os espinhos do caminho
Um a um serão banidos
As montanhas, ultrapassarei
E cedo ou tarde chegarei...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Retrato

Belos tempos
Retrato de uma época aurea passada, a ótica da camera registrou um momento inesquecível, gravou para a posteridade o charme, a elegancia daquele que viria a ser meu pai. (em pé,de cigarro na mão)


Meu pai, meu ídolo, que a vida maltratou, mas foi forte foi feliz, criou sua prole com dignidade, adquiriu cultura, não sei como, a sabedoria nata, a sabedoria dos livros, herança que me passou, trabalhou duro, sem descanso, dia e noite, zelou pela integridade da familia.


Minha filha, religião é meio de vida, o homem mais feliz do mundo não tinha uma camisa para vestir, são frases suas que marcaram minha infancia, me ensinou a questionar, a ser humilde, a buscar a sabedoria, o conhecimento onde estivesse a fonte, a trabalhar e não baixar a cabeça.


O cotidiano de uma familia possui tropeços e percalços, a labuta diária não se faz com facilidade, mas o questionamento nunca existiu, fomos sim uma pequena familia feliz.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Futuro brilhante


Vivemos como se fossemos eternos,
Vivemos cada dia
Pensando que nunca termina,
Vivemos pensando no futuro
Como se ele nunca chegasse,
Mas ele chega...
E nem percebemos
Quando nos surpreendemos
Com a dura realidade
Do futuro que chegou,


O futuro é aqui
Vivemos sonhando
Com um futuro brilhante,
E ele nos surpreende
Com a velhice
A decadência física
O fim...
Qual será o objetivo?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Universo Maluco

Faço parte


Faço parte de um universo maluco em evolução,
Sinto ser pequena particula de um mundo louco,
Onde impera apenas o interesse,
Onde o inevitável é o final da vida,
Onde o inicio é o primeiro dia de vida,


Mas são vidas que se continuam, se entrelaçam,
O fim de uma gera o inicio de outra
Em uma cadeia sem fim,
Quem idealizou tudo isso não contou o objetivo,
Mas a "cadeia" segue,
Gerações sucedem gerações,
Desde o primordio dos tempos,
E vão se completando,
Aperfeiçoando, degenerando,
Numa aspiral, por vezes em linha extensa
Outras com saltos indecentes,
Onde todos se entrelaçam
E eu pequena particula desse todo,
Vou seguindo meu destino,
Frágil, forte, indecente e descente ao mesmo tempo,
Na luta feroz,
Ja com alguns anos,
Vendo os destinos se repetirem,
os personagens se sucedem no palco da vida,
As histórias parecem as mesmas,
Alguns conseguem se sobressair
E fugir ao destino fatal,
Outros sucumbem,
Ao bel sabor do criador.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Inovar

Recursos não renovaveis
Inovar, criar, utilizando os recursos disponíveis, é a grande sacada.

A humanidade está sendo induzida ao consumo exagerado, ao descarte de recursos não renováveis???

Está destruindo as condições para sua sobrevivência no planeta, não entendeu ainda que é mais fácil e lógica a renovação na necessidade.
É um querer parecer o que não é ainda...
Se for negro, é lindo, seja negro.
Se for amarelo de olho puxado, é lindo, seja amarelo.

Se for branco, é lindo, seja branco, não queira ficar negro à força, só vai adquirir câncer de pele.
Trabalhe, estude, divirta, aos arredores de seu habitat
Busque, crie, evolua, adquira conhecimento, pesquise, viaje sem ostentar.
Seja humilde como é a vida em sua grande sabedoria.
Respeite os diferentes, que possam parecer mais fracos e são manipulados ao bel prazer. Eles são vidas, um universo encantado da criação e também sentem medo de morrer, dor, frio, fome, calor, amor como qualquer humano.
Então humanidade, menos, menos, menos...
Mais, mais, mais amor, compreensão, respeito.
E a evolução será alcançada.
Como está a marcha é ré.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Caminhão de mudança


Quintal entre nossa casa e da vovó
 Meu avô materno, um amigo da familia, mamãe e minha avó paterna, as crianças Ditinho com a barriga no tanque, Silvio em cima e eu.



Papai construiu nossa casinha de madeira nos fundos do quintal de minha avó, ouvia os comentários que a mudança estava para ser feita, contrataram o caminhão e começaram a arrumação das coisas, eu excitada esperando o momento de fazer essa mudança e já me via na boleia, quando de repente fui levada para a casa de minha avó e deixada na varanda no alto, com um banco desses rústicos de sentar deitado na porta para que eu não saísse, era tão pequena que o banco me segurava, tal foi minha surpresa quando vi o caminhão de mudança chegar, eu não estava nela, fui deixada pra traz, aliás fui levada antes, essa deve ter sido a minha primeira desilusão, fiquei muito decepcionada, não entendia porque eu não vim no caminhão, porque me excluíram assim, eu queria tanto andar naquele caminhão.

Foram subindo as coisas e eu a tudo assistindo, somente assistindo, parece que tinham traçado meu destino de assistir as coisas, chegar bem perto e não fazer parte delas, mas a vida seguia e tive também minha grande alegria de ganhar a primeira boneca que abria e fechava os olhos, disseram que eu pedia muito e arranjaram com os cunhados de meu tio Genésio que trabalhavam na Fabrica de Brinquedos Estrela para me trazerem a boneca, meu maninho mais novo ainda não havia nascido, pois eu ainda dormia no berço, quando ele nasceu passei a dormir em uma cama de solteiro que arranjaram, dormia eu o primeiro mano juntos, o bebe foi para o meu berço, lembro que me acordaram no berço e alegres me entregaram aquela linda boneca, quase maior que eu, que alegria, amei aquela boneca, cuidei dela como de um filho, nunca a estraguei e não deixei ninguém estragar, a vida seguia, brincava no quintal entre nossa casinha e a casa de minha avó, eu e maninho olhávamos o céu e víamos os balões e aviões e cantávamos, cai, cai, balão, cai aqui na minha mão, eu era feliz nessa época.

Mamãe um dia saiu e me deixou amarrada na cadeira, ela foi ao açougue, era longe para me levar, deixou o maninho no berço, dormindo e eu amarrada na cadeira, já era inquieta, já sabia o que queria e naquela cadeira amarrada eu não queria ficar, pulei tanto que derrubei a cadeira, quando ela voltava, ainda longe ouviu os meus berros, ao chegar eu estava roxa de tanto berrar e com a cadeira caída no chão, eu continuava amarada, fui bem amarrada mesmo.

Mamãe esperava meu segundo maninho e parece que as coisas já não andavam bem naquela casa, ela sofria, não estava bem, chegou o dia de ir para a maternidade, pra nós disseram que ia encontrar a cegonha para trazer nosso irmão, ficou cuidando de nós a Lídia, vulgo Doca, que depois passou a ser nossa tia, pois se casou com meu tio Otávio, ela era muito legal, brincava conosco e nos chamava de filhos, eu a adorava, brincávamos na grama  na frente da casa de minha avó, fazia cócegas em nós com a grama.

Mamãe chegou com um lindo bebe, eu queria que fosse uma menininha, pois o meu irmão era muito danado, levado da breca, assim minha mãe falava dele, me atentava muito eu queria uma irmãzinha, pois achava que menina era melhor, eu era boazinha e não infernizava a vida de ninguém, mas veio um menino, lindo, fofo, veio com a testa machucada e disseram que a cegonha o havia derrubado, tempos mais tarde  soube que foi um parto traumático, ele foi tirado a ferro, meu pai chegou ao Hospital Matarazzo, onde minha mãe estava e pelos corredores ouviu os berros dela, pegou o médico pelos colarinhos dizendo que algo de errado acontecia, pois a viu ter dois partos antes e não viu escândalo, ai fizeram o parto, o bebê era enorme, diziam que cinco quilos, ela dizia que a enfermeira e meu pai subiram em cima dela forçando a saída e mesmo assim foi tirado a ferro, pobre mamãe.

Já nos primeiros dias do bebe em casa, num domingo íamos sair a passeio, na casa dos padrinhos do outro mano, nossos passeios naquela época eram na casa da comadre Leticia e compadre Júlio, padrinhos do Ditinho, o bebe estava todo arrumado, com uma linda roupa de lã azul, em cima da cama, estavam saindo e achei que o iam esquecer, subi na cama e o puxei pelos pés, sorte que naquela época bebes eram enfaixados e ficavam durinhos, senão teria quebrado o moleque, puxei da cama ele veio durinho e pelos pés com a cabeça pra frente eu o ia levando, quando viram e me deram a maior bronca, minha mãe ao ver de longe berrou, Lazinho, a menina derruba o nenê, num pulo meu pai se apossou do bebe, levei bronca, mas eu só não queria que o deixassem.

Quando o bebe começou a engatinhar me deram a tarefa de cuidar dele, eu tinha então quatro anos, e não podia deixar que ele fosse para a porta, pois tinha uma escadinha e também que não se aproximasse do fogão, um fogãozinho de carvão de duas bocas, eu o agarrava e não deixava se aproximar dos perigos, era pesado, ficava bem sujo eu ficava até com o rosto afogueado de tanto esforço para segurá-lo, mas agarrava mesmo com muita força, já eu quando comecei andar vivia com as canelas roxas, pois vivia caindo naquela escadinha, não tinha ninguém para tomar conta de mim.

Teve o batizado do maninho, foi minha primeira festa, adorei, foi nesse dia que conheci sanduiche de mortadela e guaraná, foi muito legal, o padrinho dele um turco Sr. Abrão era chefe de papai no armazém Makfardi, onde ele trabalhava e fez a festa do maninho, deu-lhe também uma bela roupa de batizado.

Tivemos uma bela infância nesse local, brincávamos no quintal do lado com as crianças vizinhas, tinha uma árvore bem grande de ameixa e fazíamos guerra de ameixas, o filho mais velho dos vizinhos, já um menino bem grande, as vezes tomava conta de nós e íamos para o galpão que era uma carvoaria, ele mostrava suas partes intimas e queria que pegássemos, ao que desconfiados fugíamos dele, é bom as mães prestarem bem atenção com quem deixam os filhos, pois as coisas acontecem debaixo do nariz delas, sem que percebam.

Muitas coisas aconteceram nesse período, teve o casamento do tio Otávio, o casamento da prima Lalaza, foi uma festa linda em um salão com um enorme bolo de andares e noivinhos em cima, damas de honra, todas de vestido longo rodado e dançavam muito, outros casamentos com festa de outras primas de papai, nós sempre íamos bem arrumados, lembro-me de um belo vestido vermelho de organza com bolinhas brancas, mamãe fez, rodado e de mangas fofas, lindo, sapatinho branco eu adorava.

Vovó me levava a passear, ela tinha um namorado, íamos ao parquinho andar de cavalinho, comer pizza e na missa, na Catedral de São Caetano, eu era a preferida de minha avó, que foi também o primeiro grande amor de minha vida, a pessoa que ainda hoje povoa meus sonhos, era de um requinte inacreditável, não imagino onde ela aprendeu etiqueta, pois colocava a mesa de refeição com tamanha perfeição e me ensinou, toalhas de linho, aparelho de porcelana, belos talheres, copos de cristal, tudo colocado nos seus devidos lugares, era sempre o prato fundo e o raso, pois serviam entradas, os talheres colocados à direita com o guardanapo e os cristais a esquerda, grades banquetes, grandes feijoadas que somente ela fazia, até sinto o delicioso aroma de tanta saudade.

Minhas tias trabalhavam, uma era baixinha, gordinha tipo intelectual, secretária bilíngue, trabalhou em grandes empresas, uma delas a Kibon de sorvetes; a outra tipo modelo, telefonista de um oleoduto, Techint e secretária do então presidente do Jóquei Clube de Sampa João Ademar de Almeida Prado.

Vivemos ali uma bela infância, apesar de trancados no quintal, não era possível sair a rua que naquela época era saída para a baixada Santista, com todo o tráfego pesado de caminhões e ônibus, muitas artes fazíamos e vivíamos o sonho de nossa casa, onde pudéssemos ser livres.
 


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Renascer

Na imensidão da solidão
Tentei contato com várias pessoas, mas inútil, acho que o melhor será mesmo esquecer tudo o que foi vivido, toda essa gente, fazer um novo nascimento uma nova vida, com tudo novo, jogar tudo fora, renascer...

 Mas como se joga uma vida vivida fora, eu não sei, mas acho que tenho que aprender, pois a muito essas pessoas já me esqueceram, sou passado, uma vez que estou longe e não tenho mais como oferecer-lhes vantagens, então bay, bay, bay, tchau pra vocês.


sábado, 26 de novembro de 2011

Franguinho que o mosquito matou

Mamãe e eu

Eu, papai e maninho



Meu avô Sr. Benedicto saiu de sua terra natal nos arredores de Campos de Jordão e foi morar na cidade grande, Sampa, lá pelos idos da década de 30, meu pai tinha então 18 anos e não gostou disso, gostava mesmo da vida do campo, da roça, semear e colher, mulherada, cachaça, futebol, então passou a ir a outras terras em busca de trabalho, arrendava terras, plantava, colhia e vivia sua vida como queria, voltava ao lar paterno e não se adaptava e retornava  ao plantio tudo de novo, assim foi por aproximadamente uma década, quando o destino fez trambique e sua colheita não deu nada, então ele comia agrião colhido da beira do rio e amarrava a botina com arame.

Precisando de costureira para uma roupa, foi parar na casa de meu avô materno e assim conheceu minha mãe que era a costureira e foi fazer para ele duas calças de riscado, ela se apaixonou de imediato por aquele garanhão rústico e belíssimo, ofereceu-lhe uma refeição que veio bem na hora, pois o coitado nessa época só comia agrião da beira do rio, para puxar assunto comentou que o franguinho era o que o mosquito matou, mosquito era o cachorrinho da casa que assassinou o franguinho inocente e eles resolveram traçar o pinto, nem o deixaram para o pobre do mosquito, esse fato gerou uma vida de arruaças, pois ele a vida inteira vivia dizendo, “come o franguinho que o mosquito matou”, ao que ela ficava furiosa, mas não adiantava, como moleque matreiro que era se afastava um pouco e como a mulher do piolho continuava, mesmo correndo o risco de levar gordura quente na cara.


Apaixonou

Safado que era também se encantou pela bela moça e ainda costureira e foi fazer sua lábia a convidando para morar na cidade grande com ele, ao que ela se encantou e passou a sonhar sua vida em São Paulo com belos filhos e um marido trabalhador e podendo ajudar ganhando a vida com sua arte da costura, foi uma grande costureira, de tudo fazia desde roupas de riscado para a roça, roupas para o hotel, ternos masculinos e até vestidos de noiva, era alta costura o que ela fazia.

Ele foi pra Sampa e voltou para leva-la, prometendo casamento, ao que ela já balzaquea aceitou sem pestanejar, e assim partiram no trem a vapor para a cidade grande, ele a levou para a casa de sua mãe, uma vez que seu pai então havia falecido, trabalhava de vigia noturno no Matarazzo, porém sofria de ataque epilético, e numa noite sozinho durante um surto epilético se afogou na própria baba e partiu aos 48 anos.

A acolhida a ela foi boa, conheceu os familiares dele que eram pessoas bacanas, mas de um humor sarcástico e acharam muito engraçado a caipirinha que o irmão trouxe da roça, e assim começou a lendária humilhação que muito a maltratou, marcaram casamento e ela feliz da vida com seus belos sonhos.

Houve um casamento que foram todos e ela ficou só em casa, pois tinha vergonha de sair com eles que a tratavam de caipira, pois eram pessoas “cultas”, modernas de vanguarda mesmo o que de melhor havia na época, ele trabalhava à noite e sabendo que ela ficaria só, não titubeou e faltou ao trabalho nesse dia voltando para casa e já fazendo sua lua de mel antes do já marcado casamento, que apenas esperava os proclamas e assim se mostraram pessoas decididas, modernas para a época, enfim gente autentica, está ai nossa ascendência e nossa maneira de ser.

Chegou o dia do casamento e comes e bebes não faltaram principalmente os bebes, que a irmã dele Iracema tanto bebeu, que foi parar em baixo do guarda roupas se lambuzando toda, houve muitos presentes, baixelas, conjunto completo de jantar, licoreiras e ficaram morando por lá; onde fui concebida, gerada, nascida, a casa onde nasci, onde minha alma mora, vi a luz no hospital Leonor Mendes de Barro, foi tudo muito difícil, já nasci roxa através de um pico que demorou muito a ser executado, foi por pouco que sobrevivi, nasci na quinta e ele só me conheceu no domingo, quando foi buscar-nos e passamos a viver lá onde minha alma mora.

Ela não aguentou os escárnios e pediu a ele para saírem de lá, ao que  a levou para um barraco na beira do Rio Tamanduateí, onde fomos ser vizinhos de Dona Afonsina, Sr. Chiquito, seus filhos que a Lídia se tornaria minha querida tia pois se casou com o irmão dele Otávio, vieram visitar-nos a Salomé que já havia se casado com seu irmão Genésio e a irmã dele Paula, a porta do barraco bateu com o vento e elas fizeram o maior inferno dizendo que minha pobre mãe havia fechado a porta na cara delas, foi o maior brigueiro se separaram e me deram para dona Afonsina que se tornou minha segunda mãe, o amor de minha mãe por mim foi maior que tudo e assim pediu que ele arranjasse uma casinha de aluguel que iria trabalhar e o  ajudaria a  pagar e assim fomos viver nessa casinha lá pra cima da vila Bela.

Não sei exato onde era, mas as lembranças são fortes do que aconteceu nesse local, lá eu aprendi a andar e esperava por meu pai em um canteiro de alfaces, havia um muro alto e um portão, recebia banho e tinha meus cachinhos arrumados, com bela roupinha faceira ia para lá todas as tardes esperar meu querido pai, Pepe, assim eu falava e lembro de minha sombra que ficava a observar até a chegada dele, ai era só alegria e Pepe largava a bolsa da marmita e me levantava no colo, era muita felicidade.

Minha mãe ficou esperando meu irmão a vida nessa época era dura, ela se alimentava de pão seco e água doce, tinha uma barriga bonita eu a achava bem grande e linda, numa noite em casa meu irmão nasceu, lembro a movimentação da parteira chegando e todos se trancando no quartinho até que apareceu aquele bebe com imensos olhos que me pareceram contas negras, subi na cama e não tive duvidas em botar meus dedinhos naquele cristal lindo, ao que fui castigada, acho que foi meu primeiro castigo, mas aqueles olhos negros eram irresistíveis e várias vezes subi na cama para botar lá meus dedinhos, achava muito bonito mesmo e sempre levava as broncas.

Até que por causa de um bico de luz, se encrencaram com a proprietária e minha mãe induziu meu pai construir nossa casinha de madeira provisória no fundo do quintal de minha avó.

domingo, 20 de novembro de 2011

Apocalipse


Pipoca
Sonho com o dia em que não haja
nenhum animal abandonado, vagando sem destino pelas ruas, sujeito a todo tipo de maldades e perigo, sem ter onde dormir, beber, comer, ninguém para lhe dar um afago, e sentir o imenso carinho que eles tem a oferecer.

 
Vagam a esmo, procurando em vão aqueles que amam e que fizeram isso com eles, ficam na espera, seus olhinhos vão entristecendo, o cansaço e a fome começam a bater, mais ainda a fome de um afago, a saudade corroe.


Não tem abrigo, não tem nada, apenas o desprezo dos humanos, quando não maldades, o cansaço vai dominando, vai abatendo as forças, a desilusão toma conta e vem a resignação, o desencanto, às vezes conseguem algum alimento podre no lixo, outras se alimentam das fezes de outros animais e de suas próprias e assim vão seguindo seu destino, até vir a morte, lentamente vão definhando em vida ou nas rodas de algum veículo.


Outros tantos presos em minúsculas correntes, passam seus dias com pouca comida, carinho e atenção quase nada, resignação-se a triste sina, como deve ser terrível viver assim.


Sonho com o dia em que nenhum animal domestico, selvagem ou silvestre da terra, da água ou dos ares, sejam prisioneiro do tráfico e todo tipo de maldade do ser chamado humano.


Dizem os religiosos que após o apocalipse isso será possível, que venha então o apocalipse.