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sábado, 28 de abril de 2012

Sem limites


Noites a fim
Sentimentos sem limites,
Sem barreiras,
Sem fronteiras,
Um não se definia,
O outro não exigia,
Os laços foram se apertando,
Dando forma ao sentimento,
Buscando a perfeição,
Não atentos ao real
Tudo parecia imortal...
Noites afim,
Outras nem tanto assim,
Deixando o vazio na alma,
Tentando buscar a calma,
Nas noites se deixava levar,
Sem se tornar vulgar,
Às vezes barrada pela lei,
Não se deixava arrefecer,
Sem saber que a procura era inútil,
Fútil,
Aquela estrela não se deixava alcançar,
Não se deixava conquistar,
No embalo da ilusão,
Feriu seu coração,
Seguiu uma miragem,
Rumou para outras paragens,
A ausência...
Era presença
Não existia o limite, a distancia,
O tempo não diminuiu a constancia,
Não existiu a saudade,
Tudo era verdade...
Até que a maldade,
Levou
Para sempre
A felicidade                   

Miragem

Moldada na lei universal
Uma miragem, mor foi em minha vida apenas uma miragem, que segui sem entender que aquilo era apenas uma miragem, mas como tudo na minha vida se reveste da mais pura colheita, perto está o dia que o que sonhei e aconteceu com o outro acontecerá também, pois seu ninguém faz comigo o que ele fez e fica impune,sou filha do universo perfeita e com plena consciência que colhe-se o que plantou, e foi marcado por mim a ferro e fogo, marcas que não se apagarão jamais, pode a brasa ter se arrefecido um pouco, mas com o sopro da realidade voltará a se ascender como no momento passado, ai então veremos que toda nossa luta não foi em vão e o coração se encherá de brilho ao ver que na verdade tudo no universo é por merecimento e  tudo tenho feito para te-lo, não tem sido fácil a longa labuta, mas tenho sempre a vitória como real, não aceito a derrota e quando ela vem já sei que foi vitória e não derrota, pois quando uma vitória é dessa forma ela é derrota, pena que vamos entender isso somente muito mais lá na frente, depois do tempo passado é que vamos compreender que nossa derrota foi uma grande vitória, que aquilo não nos faria feliz nunca, nosso essência é de outro barro mais puro é matéria de grande quilate, moldada na grande lei universal vinda de outros mundos  inimagináveis, e não apenas matéria vil dessa involução, que tudo vê da forma  banal, apenas terrena, pensando ser o centro de tudo, pobres coitados como se enganam.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pipoca

Essa bola é minha
Pipoca morreu e a dor me consome, são sentimentos ambíguos de libertação e dor, a dor de quem perde algo precioso, muito precioso, que te acompanhou por dez anos e meio dessa vida, dez anos de dedicação e amor, de repente se vai, deixando saudade imensa, mas precisava ir estava sofrendo, chegou sua hora, mas é muito triste imagina-la morta em uma geladeira e depois cremada, vai virar pó, mas o que será melhor virar pó, virar carniça, ou virar cinza, meu coração está de luto por você Pipoca querida, está sendo duro passar este momento, mas tenho que continuar cuidando de sua irmã Bu, ela está sentindo sua falta também já está velhinha, Pipoca querida que saudade, que saudade, é só o que sinto a sua falta pela casa, a sua falta ao redor de mim, seu doce sorriso, seu doce latido, seu suave olhar, sua elegância, sua brancura seu amor, Pipoca que ao ser solicitado dava licença, subia na cama para dizer que não estava bem, pedia colo quando tinha medo e não sei mais o que dizer, sei que te amo muito, me perdoa se não lhe socorri a tempo, talvez você ainda ficasse mais um pouquinho comigo, talvez não, parece que sua hora chegou mesmo, eu senti isso e tentei te fazer mais feliz possível, sei que você queria comer um osso, e eu não lhe dei, mas era porque lhe fazia mal, sei devo ter sido egoísta fazendo assim, pois assim teria você mais um pouquinho comigo, dei um pedacinho de bolo de chocolate e você adorou, queria mais e não lhe dei para que não lhe fizesse mal, não queria ser cruel, queria apenas lhe proteger, mas acho que você já estava cansada de viver assim tão protegida, você queria namorar e eu toquei o cachorro embora, aquele que invadiu aqui, que quebrou a grade, Pipoquinha querida reinará eternamente em meu coração, meu amorzinho, neta da XU, parece que estou vendo tudo acabado, meu elo com esta terra, esta vida que venho vivendo tudo esquisito, como foi que vim parar neste lugar, que coisa mais esquisita, meu Deus como vou conseguir encontrar o meu caminho, estou perdida nesta terra, muito perdida, senhor me mostra que caminho seguir, já não sinto acolhida junto aos meus, que saudade, como é que pude me perder tanto assim nesta minha vida, que porcaria encontrar alguém pra marido que me fez viver uma enrascada dessas.
*29/11/1995 +29/07/2006

terça-feira, 24 de abril de 2012

Microcosmo

Meu microcosmo
Meu micro cosmo encantado,
Cheio de duendes e fadas,
Com aroma delicioso
Do universo em movimento;
Sabor de néctar e mel;
Inebriante perfume,
Saboroso manjar dos deuses,
Onde imperam
A mais perfeita ordem
E sentimentos diversos
De amor pujante,
Estendido aos quatro cantos
E mais alguns,
Aguçando cinco sentidos
E mais um;
Quais mistérios insondáveis
Ao contemplar
O imenso azul celeste,
Pontilhado de astros e estrelas,
Com a mais perfeita sintonia
Entre ele e eu.

domingo, 22 de abril de 2012

Loucura

Fique em seu canto
É impressionante como consigo ver minha loucura e ficar a parte dela, apenas observando é tudo muito engraçado, não deixarei jamais que essa loucura tome conta de mim, ela que fique quieta no canto dela e eu apenas a observando, hei de ter o discernimento necessário para nunca deixar que isto tome conta totalmente de mim.

sábado, 21 de abril de 2012

Infancia inesquecível

Foi atráz
Dois irmãozinhos de mãos dadas a olharem para a vida junto de seus pais, dão uma fugidinha de casa e vão fazer danações, saem à rua e ficam espreitando os acontecimentos que são muitos, mudanças, tratores a rebocar os carros encalhados na subida que é de barro, acham engraçado e ficam inebriados com a cena, um carro com correntes na roda e nem assim consegue sair do atoleiro, que fica em frente a casa deles, a mãe a gritar no portão para a hora do almoço, uma mesinha quadrada de madeira e cada um com seu prato , nesse dia é arroz e feijão com fígado e salada de alface, conversam, riem juntos, vão a escola, brigam com a irmã e ajudam a mãe nos afazeres domésticos.

Certo dia um deles de tão emocionado vendo a mudança de um amiguinho se sujou nas calças, eram tão ligados que o outro ficou com inveja e fez força até borrar as calças também, chegando em casa relataram o fato à mãe que os mandou lavarem as roupaz, mas eles enojados e com preguiça jogaram as roupas suja na rua, veio um cachorro e comeu os excrementos e as calças, a mãe na tentativa de educá-los os colocou sem roupas na janela para que se envergonhassem e da próxima vez obedecessem, o mais novo se pos em prantos, o maior nem ligou ficou brincando com suas partes intimas e a gargalhar, o pai ao chegar do trabalho vendo a situação os tirou da janela, fazendo-os prometer que tal situação não se repetiria.

Saudades maninhos, saudades grande demais e aquele dia da fuga, enquanto os irmãos maiores tomavam conta do pequeno ele se evaporou, veio a mãe querendo saber o paradeiro da criança e cadê criança que nada, evaporou, foi a maior gritaria se esgoelou toda.
- Mamãe ele estava aqui agora mesmo,
- Mas cadê então,
Sumiu, vizinhos foram chamados à auxiliar na busca, enquanto a mãe se descabelava toda os vizinhos se esforçavam e nada do menino aparecer, lá pelo fim da tarde vem um amigo a trazer o garoto pela mão, então a mãe abraça o menino e da-lhe pancada, pancada nos três, nos maiores porque não olharam e no menor porque sumiu, só então foi pedida explicação do sumiço, e o menino conta que vendo o bananeiro passar com a carroça puchada pela égua ao lado o potrinho ele se entusiasmou e foi atraz a olhar, quando viu que tinha se afastado de casa tentou voltar, mas um cachorro o latiu, teve medo e fugiu, chegou a passar em frente a escola da irmã, mas o cachorro novamente o latiu e acabou se perdendo de vez, chorou, chamou a mamãe e nada até aparecer o amigo e o trazer de volta pra casa, as crianças só não entendiam porque apanharam tanto, já que a mãe chorava e ao aparecer a criança de volta deveria ficar feliz, mas não, espancou as crianças.

Ao chegar o pai que havia trazido um brinquedo de montar, dessas pedrinhas que vão formando casas foi impedido de entregar, pois as crianças estavam de castigo, somente no dia seguinte foi permitido brincar, então já esquecidos do sufoco e da surra do dia anterior, fizeram a maior festa, cheios de felicidade com o brinquedo recebido, brincavam os três juntos, assim os dias passavam felizes, de uma infância inesquecível.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Trem desgovernado

Eu sou
Meu coração é um trem desgovernado, eu não tenho controle sobre minhas emoções, assim embarquei em um bonde que vai pela contra mão, em alta velocidade e sem maquinista, sendo assim constantemente sou tragada por redemoinhos de emoções desnorteando minha vida.

Então é preciso correr atraz da sorte e pega-la à força, nem que seja pelo rabo e não deixar fugir, senão os amputados emocionalmente pegam carona me fazendo de muletas, ai já viu né.

Seres incompetentes pegam carona e difícil é faze-los desembarcar, desembarcam apenas quando encontram um návio a velejar à outros portos, então se vão, sabe-se la o que encontram, mas com a vigarice são bem capaz de ancorar em melhor ancoradouro, e ai ficam a parasitar mais um pouquinho.

domingo, 15 de abril de 2012

Aprender

Eu vou
Um tempo que acabou,
Um tempo que passou,
Um tempo que eu vivi...
Um tempo que vivi
Presente nas lembranças,
Na saudade,
Na memória...
Um tempo que foi meu,
Um tempo em que conheci
A felicidade,
Um tempo que não existe mais,
Um tempo que foi gloria
E foi embora,
E mora na saudade,
Na lembrança da felicidade...
Como fazer voltar o tempo?
Como girar a roda do mundo de volta?
Eu quero aprender,
A viver o tempo presente,
O tempo que tenho para viver,
O tempo que é meu,
O tempo que não acabou...
Eu tenho que aprender...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Chapada

Mirante Chapada Guimarães
Simbora pra Chapada,

Se integrar a natureza,
Fazer parte da realeza,
Que um dia o criador,




Num momento de puro êxtase,idealizou e concretizou,
Para deleite dos viventes,
Que contentes se inebriam,
Na contemplação, na pura ilusão,
Que a sabedoria da mão divina um dia perpetuou,
Para nós pobres mortais,
Transmutar,
E sentir o paraíso.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Gente

Tudo Igual
Gente,
O que é isso?
Gente nasce...
Gente cresce
Gente vive
Gente morre...
Gente é bonita
Gente é feia
Gente estuda
Gente trabalha
Gente trai
Gente explora
Gente é falso
Gente é hipócrita
Gente chora
Gente vai embora
Gente anda
Gente fala
Gente come
Gente é tudo igual

Metido a besta
Mas na mesma cesta
Todos serão metidos
Na mesma medida
Que nenhuma gente escapa
Da escala do fim
Onde todos viram pó
Sem dó nem piedade
E ninguém volta pra contar
Se foi bom ou foi ruim
O início do fim.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Flor do sabugueiro

Foi a salvação
Nasci com uma imensa vontade de aprender, uma curiosidade incontrolável de conhecimento, assim aos 6 anos, mamãe que era semi analfabeta, comprou uma Cartilha Sodré e me ensinou as primeiras letras, fiquei encantada de tal forma com a cartilha que rapidamente decorava as primeiras lições e convidava mamãe para brincar de me ensinar, ao chegar na lição da macaca eu já havia aprendido a soletrar e ninguém mais me segurava, onde via algo escrito la ia eu a soletrar e fazer as perguntas para saber o que significava aquilo, tudo era novidade, tudo era encantador, me envolvia naquele mundo das letras de tal maneira que me sentia o máximo, eu já sabia ler, que emoção.

Este ano dos meus 7 anos foi incrível, viajamos para a cidade de Aparecida do Norte para pagar a promessa que mamãe fez quando eu era bebe, promessa para que eu mamasse, pois desde essa época já não gostava de leite, e recusava o peito, promessa feita comecei a mamar ai então aos 7 anos me levaram para pagar, fomos de ônibus, embarcamos na antiga Rodoviária de Sampa, uma bem bonita cheia de vitrais coloridos ali pelos lados da Estação da Luz, voltamos de táxi, o maximo, a estadia la foi bem legal, meu irmãozinho se perdeu, ele era terrível, saiu correndo em volta da antiga matriz no meio da multidão e difícil foi encontrar.

Nesse ano foi comprada nossa casa, onde nossa estória começaria a ser escrita de verdade, a estória de nossa pequena família, mudamos em 24 de setembro de 1954, no inicio do outro ano fui para a escola, a que felicidade, me sentia mal e nada disse, minha mãe me deu um banho na baciona de alumínio que tinha para essas ocasiões, eu fui meio tonta para a escolinha, toda arrumada de uniforme, fita na cabeça e malinha de material, mas ao chegar a professora me mandou de volta “essa menina está com sarampo, não pode ficar no meio das outras crianças, voltei pra casa aos berros e para me acalmar disse a mamãe que queria costurar na maquina, já tinha alma de estilista, não teve jeito e deixou, a primeira coisa que fiz foi enfiar a agulha no dedo mindinho, ai acabou a brincadeira, estava verdadeiramente mal com o sarampo, a febre foi ficando alta e à noite tive delírios e agarrei a camisola de mamãe, nessa época meu avô materno vivia em casa e foi minha salvação, era um homem meio bruxo, multi-midia se diria nos dias atuais, fazia de tudo um pouco, foi dono de jardineira, muitas terras, gado, prefeito de cidade, professor e até coveiro quando perdeu na política, era de Ouro Preto, falava até da inconfidência, assim saiu pelas ruas a procurar pela flor do sabugueiro, uma erva que já havia visto pelas redondezas e sabia ser benéfica ao tratamento de febres, fizeram o chá e me salvei do sarampo, sendo então iniciada no costume ao tratamento com ervas medicinais.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pequeno Flamboyant


Meu Flamboyant
Nasceu de uma sementinha,
Jogada pelo vento ao léu,
Vindo da flamboyant mãe,
Ergueu-se tênue do solo,
Uma varinha apenas,
Tentando buscar o sol,
Sua copa débil foi crescendo,
Garotos malvados subindo e o maltratando,
E você resistindo,
Veio o homem com sua máquina feroz e o atropelou,

 

Rachando seu caule no encontro com a terra,
Tirando-lhe também,
Uma bela lasca de sua casca,
Mas você “BRAVO FLAMBOYANT’ resiste,
Resiste a tudo,
E na seca de seus galhos,
Surgem as novas sementinhas,
Que irão transformar-se em belas flores,
Em mais alguns dias florescerão,
Para encantamento da primavera vigente,
Dos olhos dos transeuntes,
Que muitas vezes o ignoram,
Mas a mim,
E aos que tenham a sensibilidade na alma,
O deleite é certo.
Obrigado pequeno belo Flamboyant,
Pelo despertar no alvorecer,
Poder contempla-lo
Para embevecer a alma
E a visão.

Paixão

A primeira vista
No primeiro instante,
Forte, violenta, constante...
Vence
Tempo e espaço,
Tropeços e percalços
Segue,
Forte, imbatível...
Pela vida a fora,
Sempre vigente
Paralela a outros momentos
Também intensos,
Porém sem a mesma autenticidade,
Nada,
Consegue arrefece-la,
Ultrapassa todos s limites,   
Sentidos, sonhos imagináveis e
Inimagináveis,
E vai além do possível e impossível,
Transgredindo emoções, sentimentos,
Correspondida!
Ou não?
Sim;
Num segundo momento,
Aflora toda sensibilidade
Do sentimento partilhado,
Elevado a suprema emoção
De corações unidos no mesmo ideal,
Inevitável,
A ruptura;
A distancia física,
Não mais embala o sentimento maior,
Que permanece
E seguirá,
Acalentando dois corações
Até o infinito
Ininteligível

domingo, 8 de abril de 2012

Primeira infancia

Cenário

Íamos vivendo e fazendo danações sem fim, nós e os primos que com frequência visitavam a casa da avó, nos dávamos bem, brincávamos e atentávamos nossas tias, ao que eramos trancados no banheiro, que por sinal muito lindo o banheiro da casa de minha avó, bem grande com azulejos azuis e piso cerâmico, havia uma banheira, grandes armários espelhados e um Box com chuveiro, trancafiados pelas artes cometidas passávamos a usufruir dos produtos de beleza da tia e aprontávamos mesmo, rabiscávamos os espelhos e azulejos com batom, até sermos tirados dali, quando passava a fúria de nossa tia, que acabava rindo das peraltices da sobrinhada.

Os almoços eram verdadeiros banquetes, as pessoas vindas das origens sempre eram hospedadas por lá e assim conhecíamos nossos ancestrais.

Todo ano o Rio Tamanduatei, que passava bem próximo de casa transbordava e uma das irmãs de vovó morava na Avenida do Estado que passa nas margens do Tamanduateí e vinha se hospedar na casa da minha avó, que mais parecia e era chamada de casa da sogra, todo ano era a mesma coisa, enchentes em Sampa e Sanca não são coisas recentes, já existiam a muito tempo

Papai foi trabalhar na Antártica e tudo foi melhorando em nossas vidas, passeávamos aos domingos, íamos ao Museu do Ipiranga eu ficava extasiada ante aquela obra prima, aquele palácio que mais tarde vim saber, ser réplica do Versalhes de Paris em estilo renascentista.

Todo ano viajávamos ao interior Paulista visitar nossos avós maternos era só festa, íamos a principio no trem a vapor da Cia Paulista de trens, na linha da Alta Paulista, todo lotado, mamãe nos colocava para dormir em baixo do banco, mas depois tinha um belo trem com cadeiras estofadas e numeradas, era muito legal, garçons passavam nos vagões com carrinhos de lanches e guaraná, papai nos levava ao carro restaurante para almoçar, ao chegarmos na cidade de meus tios e avós às vezes íamos até o sitio de Charrete, outras em um Pé de Bode alugado  Ford bem antigo, chegando no sítio a festança era boa, subir nas árvores feito macaco, chupar manga no quintal e se lambuzar muito, à noite sob a luz do luar fazer atletismo na areia, dava cambalhotas como ninguém, que pena, meu potencial de atleta foi desperdiçado, tinham o hábito de assassinar  porquinhos quando chegávamos, era papai quem enfiava a faca na goela do coitado que ficava aos berros, credo, que coisa horrível, minha tia uma filha de imigrantes italianos de pé rachado, desdentada, de tão esquisita se tornava encantadora da bondade que emanava, mulher sensível, foi a primeira a perceber a minha sensibilidade em relação aos animais, e me tirava de perto nas ocasiões de chacina de porquinhos pois percebeu que demoravam  morrer quando eu estava perto, na primeira infância sem ter noção de quase nada, já amava a vida dos animais e sofria pela perda delas.

Uma tia tinha um namorado estilo James Dean, filho de emigrantes italianos radicados em São Caetano do Sul, andava em uma Harley Davidson, aos finais de semana iam para a Baixada Santista e só voltavam à noite de domingo, sempre muito lindos vestidos no rigor da moda da época, eles brigavam muito e uma vez ele trouxe um saco de estopa com os presentes recebidos todos quebrados, picados e colocou no portão da casa, quanta judiação, mas namoraram 14 anos e após o falecimento de minha avó se casaram e passaram a viver em sua casa no Jardim Independência, mas brigavam demais e toda vez que os visitávamos ficávamos sabendo que tinham quebrado muito da prataria e cristais que possuíam um jogando na cabeça do outro, até que aos 42 anos o bonitão parecendo já um velho, pela vida boêmia e desregrada que levava adquiriu uma cirrose que o levou desta pra melhor.

A outra, intelectual tinha um namorado lituano fugitivo da segunda guerra e vivia no quartinho dos fundos da casa, tinha um caminhão e gostávamos muito dele, nos levava passear, como robe construía rádios vitrolas, uma delas deixou na casa e ouvíamos Atirei um pau no gato, Criança feliz com o Chico Alves, que eram as musicas modernas que faziam sucesso na época.

Havia muita briga entre os dois casais, não sei o que se passava, mas volta e meia rolavam as escadarias de cerâmica, agora de pouco a prima disse que eram ciúmes, que um era apaixonado pela namorada do outro, era tudo muito engraçado.

Final de ano montavam presépios e arvores de natal, havia ceias fartas e toda tradição mantida, natal pascoa tudo era festa.

Minha avó me ensinou a oração do anjo da guarda, a ser gentil, educada, civilizada, me davam muitos presentes, próximo ao meu aniversário de sete anos vovó me levou para comprar meu presente, eu havia escolhido um anel de chapinha com meu nome gravado, minha personalidade despojada começava então a se revelar, pois era cheia de brincos e anéis de pedrinha e escolhi um bem simples, e fomos nós para a joalheria em São Caetano, na volta na subidinha da curva da Ibitirama começou um rodamoinho, muita ventania parecia que o mundo estava para se acabar, o radio tocava as noticias e minha avó fez o sinal da cruz, era a noticia do suicídio de Getúlio Vargas, entramos em casa e meu pai assim disse, suicídio nada, foi assassinato, meu pai homem culto sabia das coisas.

Pai e vô Frosino

Meu avô materno, Frosino veio para Sampa a fim de trabalhar, minha mãe queria que ele tivesse uma aposentadoria, pois se preocupava com a mãe e irmã que eram dependentes dele, a irmã sofria uma doença nervosa que não seio o que era, ficava o tempo todo sentada em uma cadeira e vez em quando sofria ataque epilético, já a mãe a muito havia perdido o juízo e vivia perambulando pela mata, vez em quando ficava quieta em casa, foi um belo período onde pude usufruir da companhia dessa criatura espetacular, meu vô Frosino, que figura, um lorde, um gentleman, alto, elegante, tinha bela postura, falava bem, meio bruxo, multimídia nos dias atuais, nascido em Ouro Preto se aventurou na política, mas era letrado, dava aulas e ministrava remédios de ervas, possuía terras, gado, jardineira, perdeu na politica e foi ser coveiro, perdeu tudo que tinha na esbornia, vivia nos cabarés, por isso mamãe fez com que ele viesse trabalhar e se aposentar para que tivessem um velhice digna, e assim foi, ao se aposentar voltou para o interior Paulista, Mariópolis, onde foi viver ao lado do filho Aristides, um domador de potros.

Teve meu aniversário de sete anos foi uma festa linda, quem deu o brilho foi minha tia Selly, papai comprou o básico e chegaram com presentes, enfeites para a festa e convidados, foi lindo, talvez pela timidez ou pelo meu desapego já as coisas supérfluas apesar de ter gostado da festa, nunca mais quis outra, no dia seguinte antes de entregarem as garrafas de bebidas ao empório que era em frente a casa, usava assim naquela época, eu daninha e curiosa como sempre abri a porta do guarda comida que ficava em frente a mesa, felizmente, e me pendurei nela, como já era grande sete anos o armário despencou com as comidas e bebidas, sorte tinha a mesa em frente ele bateu nela e não me esmagou, só esmagou as garrafas.

Apesar das surras homéricas a que éramos submetidos, vivíamos felizes, eram cintadas de papai e reiadas com a vara de amoreira da mamãe, ele nos batia muito que mamãe fugia dele na hora H, como trabalhava em período noturno, muito trabalhou meu paizinho, trabalhava em dois empregos, no armazém Makfardi pela manhã e a noite na Antártica, entrava 23h00min para o trabalho, lá pelas 17h00min da tarde queria que mamãe fosse deitar com ele, ela fugia para a casa de minha avó, nós levávamos a culpa, surra e cama ainda com o sol na cara e bico calado, sem um pio, bico no toco, senão apanhava mais.

Belos dias passados na primeira infância nesse local, com a companhia dos primos e familiares, tudo era festa, apesar da prisão, pois aquela rua era de grande movimento e não se saia do quintal sozinho, até que chegou o tempo de nossa mudança para a casa nova no Parque São Lucas, o sonho de mamãe da casa própria havia se realizado.


Tia subiu buscar gato
Antes da mudança ganhamos um gatinho para levar para a nova vida, ele desapareceu, o vimos na casa da vizinha, titia a intelectual foi busca-lo, brigou por lá e voltou sem o bichano, armou uma estratégia para pegá-lo, chamou a irmã e as amigas, limparam as varinhas de amoreira e disseram para nós, quando as criaturas descerem nos avisem ao que prontamente avisamos, foi muito engraçado, discussão e varas na cara, muita gente, muita briga minha avó com dificuldade de locomoção caiu ao chão, não conseguia se levantar, nesse dia levantou, mamãe chamou papai que dormia, pois trabalhava no período noturno, Lazinho vai levantar sua mãe, ao chegar ela estava em pé, ele chamou a policia foram todos para a delegacia e levaram a maior bronca, da próxima vez as escriturárias iam escrever na prisão e as outras limpar o chão.

Então nos arrumaram um filhotinho de cão, que também desapareceu, o vimos numa casa mais acima da Rua Ibitirama, mas desta vez não quiseram ir buscar e assim mudamos sem nenhum animalzinho para estrear nossa casa e nossa liberdade, enfim rua, livres, rumo a uma nova vida, a vida da família que de fato se firmava em sua casa própria que permaneceu sendo nossa por 54 anos, onde vivemos nossas mazelas e nossa felicidade, onde tivemos dignidade.

sábado, 7 de abril de 2012

Pascoa

Vóvo,eu, Dirce
Páscoa, foi numa longinqua e distante que perdi minha vózinha querida, primeiro grande amor da minha vida, naquele dia todos se voltaram a mim preocupados pois sabiam de meu bem querer por ela.

Inusitado é que não senti o acontecido, para mim era como se estivesse sendo espectadora de uma peça theatral, nada daquilo tinha a ver comigo, infelismente tudo aquilo tinha sim muito mais importancia em minha vida, pois daquele momento em diante perdi o grande amor de minha vida e até hoje amargo na saudade como se nenhum dia houvesse passado.

O destino se encarregou de afastar a familia até aquele dia unida, muito unida, hoje são fragmentos de uma época área passada, cada um distante em diversos continentes, uma breve tentativa de aproximação, mas em vão, pois toda a distancia e tempo passado se encarregaram do afastamento.

A vida tem sido cruel com os membros dessa familia, toda desgarrada e tem estirpe, segundo um dos membros iluminados que resolveu buscar pela nossa ascendencia, sem mesmo haver vivido na época áurea dos momentos inesquecíveis, pois ainda se encontrava no éter esperando pela sua descida a esta dimensão, talvez proposital para que alguém um dia possa revelar o que precisa vir a luz, não viemos da plebe somos nobre.

Isto faz doer ainda mais meus sentimentos pela maneira como hoje venho sendo tratada, estou fora de meu ninho feito passaro ferido sem conseguir retornar ao lar, mas retornar pra onde? Se hoje não tem mais ninho.

Um ser estranho fora de seu habitat natural sofrendo toda forma de humilhações, apenas por querer fazer as coisas dentro das leis dos humanos, porque das do universo elas são feitas, então aqueles que estão desrespeitando tais leis, fatalmente chegará o dia da prestação de contas, não venhão então chorar.

Hoje estou nessa viagem longa no tempo e no espaço físico, mas chegará o dia do retorno então será a glória anunciada.

No sonho, em outra dimensão, minha querida vózinha continua comigo e agora tem em seus braços seu neto amado, que desde seu nascimento senti uma forte paixão por essa criatura, que fez parte de minha vida e hoje já retornou ao lar eterno, ja fez o temido caminho de volta, e agora o anjo louro também se juntou a eles.

Inesplicávelmente, essas partidas também se revestiram da mais pura alienação, como se fosse coisa planejada pelo destino, aqueles anjos realmente não pertenciam a este sistema de coisas.

Vagando mais um pouco nessa viagem ao passado, passa pela minha mente todas as criaturas que um dia fizeram parte dessa familia, viveram e deram sua contribuição a este planeta, hoje são como personagens de um filme, mas enquanto vida eu tiver estarão sempre presentes em minha mente, meu coração, minha saudade.

Acalento

Sabor dos ventos
Doce xaxim, pendurado assim,
Ao sabor dos ventos,
Sendo o alento da alma que se acalma,
Ao contempla-lo assim,
Tão definido, perante o infinito...
Trazendo o acalento ao coração
Sedento de amor e paixão,
Na doce ilusão da fertilização,


Com suas raízes sugando a terra fecunda,
Extraindo o néctar da vida,
Transmutando em beleza infinita,
Suas verdes folhas selvagens,
Quando soltas levadas a longínquas paragens,
Secando e tornando à terra mãe,
Para alimenta-la como adubo,
Para futuras plantações,
Para alimentação da prole humana,
Desumana,
Que emana dos continentes,
Qual gente... Sendo bicho;
Que não é bicho,
Porque bicho é mais humano,
Não comete atos desumanos,
Tal qual você doce xaxim,
Meu coração clama,
Pela chama...
Que um dia  acenderá
No coração do homem,
A fagulha que resplandecerá,
Na compreensão e contemplação
Mútua do universo,
Tal qual engrenagem besuntada,
Fluindo para a eternidade,
Sonhada e acalentada
Pelo grande criador.

Parasitas

Outrora
Galhos secos, secos galhos...
Com parasitas também secos
Outrora deste vida aos parasitas,






Agora eles lhe tiraram a vida,
Não tem mais como lhe sugarem
O néctar da existência...


E agora?
Seu tronco robusto resiste,
E insiste em voltar a vida,
Com tênues brotos
A saírem de seu  amago


Pássaros descansam...
Mesmo sem suas  folhagens,
Usam-no como trampolim,
Para seus vôos rasantes,
Suas   raízes continuam
A sugar da terra
A seiva da vida.
Queria ser um pintor,
Para poder retratar
Sua beleza estonteante,
Ante a vida e a morte...
Na perfídia do ocaso
Quem vencerá?
Vida ou morte?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Bela dama

Quisera lhe fazer uma grandiosa homenagem, nesta data de seu nascimento,  uivar ao mundo o agradecimento de me ter proporcionado a vinda a esta dimensão, foram lutas de titãs as  que travamos, e vencemos, como pobre mortal que sou lhe ofereço esta humilde  recordação  saída do fundo do coração.


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Amor eterno


          Bela dama                                          Mamãe e eu


Se o tempo não tivesse cumprido seu dever e a arrebatado, seria mais um ano de vida desta bela dama.

Cumpriu seu instinto de mãe de maneira sublime, deu a sua prole o que de melhor possuia, seu afeto, seu caráter digno, seu DNA.

Eterniza-la seria pouco para o amor louco que uniu nossas vidas, mas pobre mortal que sou, posso apenas eternizar meu amor.

Seus frutos geraram sementes a habitar esta dimensão, que seguirão alheios a essa vida que um dia foi sua, precursora de suas vindouras vidas.

Mas assim é desde os primordios dos tempos
e assim será eternidade afora.

Enquanto eu por aqui estiver,voce estará sempre em minhas memórias, meus devaneios, minha saudade.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Deserto do Infinito

Além do sem fim
O tempo voou na calda de um cometa
E com ele levou,
Sonhos de uma vida
Viva em movimentos,



Vivencias vividas e projetadas
Para além do sem fim,
No obscurantismo do véu do destino,
Se foram os acalantos
Um dia sentidos,
Para onde!
Talvez para o deserto do infinito...
Feito poeira cósmica,
Para um dia no alem,
Integrar-se ou desintegrar
Numa revoada  de sopro divino;
E no caminho da evolução
Voltar a ser
Que sabe,
Simplesmente:
Felicidade.